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Projeto Terapêutico

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INTRODUÇÃO:


A psicologia como ciência que estuda a mente humana, o comportamento manifesto não só o objetivo como também a influência que exerce sobre o ambiente, pretende auxiliar no tratamento das enfermidades psíquicas e na prevenção de seu aparecimento. Considerando neste caso a Dependência Química, a droga passa então a ter um papel central na vida da pessoa Saiba Mais dependente, visto que, o prazer proporcionado pela(s) substância(s), preenche lacunas importantes essenciais para o funcionamento psíquico. Nesse sentido, a pessoa vivencia um grande sofrimento, tanto físico, quanto psíquico, e sua vida é afetada de forma importante, bem como a vida de seus familiares, amigos e também comunidade. Diante desses fatos, percebe-se que o tratamento do sujeito dependente é uma ação delicada, complexa, que exige a participação de profissionais qualificados, e um método eficiente, que respeite as particularidades desse sujeito.

Dentro da realidade da Centro Terapêutico Saúde e Vida, considerando a dependência química uma relação disfuncional entre um indivíduo e seu consumo de substância psicoativa, a psicologia pode oferecer um tratamento amplo que abrange o sujeito como um todo, dentro do aspecto mental, social, cultural, econômico e familiar na tentativa de resgatar e fortalecer o seu lado saudável.

Esta Ciência atua também interpretando as relações das problemáticas sociais procurando intervir na realidade, na tentativa de promover o desenvolvimento integral do ser humano e seu ajustamento ao meio social em que vive. Dentro do organismo Institucional busca recursos e ou alternativas proporcionando o desenvolvimento biopsicossocial.

É indispensável a ação conjunta para a restituição de um modo de vida ordenado e útil aos pacientes. O tratamento deve aspirar constantemente reintroduzir a lógica sã na vida e no mundo ideológico dos mesmos, e tudo o que se faz deve ter sentido e finalidade.

Para tanto, é preciso de uma equipe multiprofissional que integre todos os setores e realize de forma efetiva um atendimento adequado. Uma equipe multiprofissional e um projeto comum. O que pretendemos desenvolver é um trabalho conjunto com as demais áreas profissionais atuantes dentro da instituição.

Nossa equipe conta com os seguintes profissionais:

JUSTIFICATIVA:

O setor de psicologia visa a assegurar um tratamento adequado e coerente com a psicopatologia apresentada promovendo a ressocialização do paciente.

OBJETIVOS GERAIS:

  • O reconhecimento da necessidade de ajuda;
  • Maior aceitação de si mesmo;
  • Aumento da auto-estima;
  • Reflexão acerca dos próprios problemas;
  • Minimizar o sofrimento;
  • Melhor contato com a realidade objetiva;
  • Favorecer o tratamento do paciente contribuindo para sua readaptação bio-psicossocial;
  • Estimular a participação de atividades socioterápicas com o intuito de diminuir a ociosidade e impulsos agressivos desenvolvendo o sentimento de pertencer à sociedade;

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Analisar os fatores predispostos, as causas pessoais, econômicas, culturais e familiares que envolvem o paciente e dificultam sua recuperação. Articulando soluções onde participem ativamente pacientes e familiares na procura do seu próprio bem-estar;
  • Relacionar à doença os aspectos emocionais, psicológicos e sociais; atuando de maneira centralizada nas considerações, nas mútuas implicações desses fatores que impedem a preservação da saúde, o tratamento e retardamento da convalescença;
  • Interpretar os aspectos da doença para a família contribuindo para que o plano de tratamento seja eficaz conforme as características de cada paciente, além de fornecer dados para a equipe que o acompanha;
  • Sensibilizar a família da necessidade de sua colaboração e participação no tratamento para a eficácia do mesmo;
  • Possibilitar a ressocialização do paciente para readaptação ao meio social.

ATIVIDADES PLANEJADAS:

  • Avaliação dos pacientes;
  • Atendimento psicoterapêutico em grupo;
  • Atendimento individual;
  • Atendimento individual à familiares em situações específicas;
  • Relato contínuo nos prontuários;
  • Contatos semanais com as famílias, nas quais são abordados assuntos relacionados ao Plano de Tratamento do paciente;
  • Entrevista com iniciais com as famílias, para possibilitar a coleta de dados e contribuir no plano de tratamento do paciente;
  • Orientação sobre o diagnóstico e prognóstico, para melhor compreensão e aceitação do transtorno pelo doente e por seus familiares;
  • Orientação sobre o Programa de Tratamento.
  • Orientação sobre a continuidade do tratamento com informações sobre os recursos disponíveis na comunidade contextual que o paciente residirá.
  • Atividades voltadas especificamente aos pacientes com morbidades psíquicas – grupos psicoterapêuticos, oficinas e atividades lúdicas. As quais consistem em ajudar o paciente através de uma avaliação cuidadosa de seu problema e da utilização das situações e atividades apropriadas nos aspectos físico, psicológico, social e econômico de sua vida; competência para comunicar-se, para estabelecer relações interpessoais, para chegar a adaptar-se ao seu trabalho e estar capacitado a desempenhá-lo, para desfrutar das diversões; competência para ocupar, na sua vida, o lugar apropriado na forma mais conveniente.

METODOLOGIA

O período de tratamento, a princípio, é de seis (06) meses ininterruptos, dividido em três etapas:

6.1 – Desintoxicação e adaptação: os dois primeiros meses serão importantes para a desintoxicação que não é somente orgânica. Devemos entender a dependência química como uma doença bio-psíco-social, formada por componentes biológicos, psicológicos e de contexto social. É claro que as estratégias de abordagem do problema devem incluir, igualmente, elementos biológicos, psicológicos e sociais. Por isso não deve ser tratada apenas a doença cerebral subjacente à drogadicção, mas tratar, sobretudo, as alterações emocionais do paciente, bem como abordar os problemas sociais.

6.2- Conscientização e reformulação: no 3º e 4º mês, acontece o período de tratamento e reabilitação propriamente dito. Nesse período, as atividades serão intensificadas no mergulhar dentro de si, olhar para sua história de vida e, a partir dessa imersão em si mesmo, ressignificar a própria vida, buscando a superação de comportamentos inadequados que o levam ao uso de drogas.

6.3- Reinserção social: no 5º e 6º mês trata-se do período de reinserção social, quando o usuário se prepara para voltar ao convívio social. É o período para o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento para o convívio com a família e a sociedade, e preparação para o mundo do trabalho. O PTI, nesse período, estará focado no projeto de vida, voltado especialmente para a reinserção no mundo do trabalho e na volta ao convívio familiar.

A Reinserção Social é o processo através do qual o sujeito reestrutura suas características de personalidade e a sua vida, desenvolvendo competências de autonomia e responsabilidade, apropriando-se de sua dignidade e cidadania e resgatando a sua auto-estima. Essa etapa contribui para a eficácia do tratamento, conduzindo à realização pessoal e ao restabelecimento das redes sociais de suporte (trabalho, instituições de ensino, dentre outras), promovendo estabilidade física, emocional e social do sujeito.

É importante ressaltar que o período de tratamento de 06 meses é indicado para aquele usuário com comprometimentos graves decorrentes do uso de drogas, e que busca uma forma de lidar com a compulsão ao uso dessas substâncias, e que deseja abster-se delas. Por esse motivo, a adesão ao tratamento em Centro Terapêutico deverá ser voluntária — é o sujeito que deve escolher essa forma de tratamento, e não outra pessoa escolher para ele.

Em alguns casos específicos, o tratamento pode ser mais curto ou mais longo. A equipe, juntamente com o residente, pode entender que não há necessidade da permanência pelo período de 06 meses; por outro, em outros casos, pode-se perceber a necessidade de permanência por um período superior a este. Percebe-se assim a necessidade da flexibilidade do PTI, já que ―cada caso é um caso, nem todas as intervenções servem para todas as pessoas.

Em determinados casos, as pessoas saem da comunidade e não encontram na família, na comunidade ou no mercado formal de trabalho, condições de reinserção social. Quando desses acontecimentos, muitas vezes essas pessoas buscam na Comunidade um refúgio. Portanto, é preciso buscar soluções para resolver esses problemas, com o intuito de evitar a cronificação e institucionalização do sujeito.

ESPIRITUALIDADE NO TRATAMENTO DE DEPENDÊNCIA QUIMICA

A dependência química é uma patologia que está ligada à falta de limites e a dificuldade de lidar com as dificuldades, frustrações, inerentes a vida humana – é uma das patologias psiquiátricas mais graves do século 21. A cada dia, observam-se complicações como conflitos familiares, aumento nos índices de agressividade, suicídio e internações emergenciais por overdose e consequente óbitos como fatores presentes no cotidiano da dependência química.

Não é raro encontrarmos pessoas que se desenvolveram muito na dimensão intelectual, que têm sucesso na profissão, mas são pessoas frágeis emocionalmente e ignoram a importância da vida espiritual. Este descompasso causa uma insatisfação interior muito grande.

O ser humano, para ser feliz precisa desenvolver as três dimensões da vida (física, emocional e espiritual) de forma harmoniosa.

Quando uma paciente vai para um tratamento em uma clínica de recuperação que tem como bases os 12 Passos e a reabilitação psicossocial, recebe ali um apoio que engloba as três dimensões do ser humano: física, emocional, e espiritual.

Os indivíduos, quando já tragados pela dependência química, estão no seu todo disfuncionais, estão com sérios comprometimentos orgânicos, psicológicos e neurológicos. Seus relacionamentos tanto familiares quanto sociais se encontram abalados.

A pessoa troca o amor pelas drogas, deixa de se amar e de amar qualquer ente querido. A droga passa a ser um poder superior, que faz com a mesma perca totalmente o contato com Deus amantíssimo, o que faz com que cada dia mais ele se deixe destruir pela sua doença.

Através da espiritualidade as pacientes que se predispõem a um tratamento entram em um processo de abertura interior, começando a observar a dependência química por outro prisma, isto é, começam a perceber o caminho percorrido, atingindo a maturidade para balancear o positivo e negativo de sua doença – assim também como o reconhecimento dos defeitos de caráter, as máscaras que se deixam cair – e descobrindo que, o que parecia bom e prazeroso tornou-se um pesadelo.

No entanto, o desenvolvimento espiritual não as deixa ressentidas e amarguradas, pois, ao mesmo tempo em que conseguem ver as consequências negativas da dependência em suas vidas, estão num processo de perdão a si próprio, pois, sabem que tudo de negativo vivenciado foi consequência do uso e dependência de drogas, e também da sua forma de se comportar e perceber o mundo.

Através da espiritualidade se tem oportunidade de fazer uma análise de vida, saber quais são suas qualidades, quais são os seus sentimentos e quais comportamentos deve ser mudados, muitas vezes neste momento é que acontece o “despertar espiritual”.

Infelizmente, a espiritualidade ainda é algo desconhecido para a vasta maioria das pessoas. Porém, é uma das diversas ferramentas disponíveis no tratamento da dependência química, que tem comprovado bons resultados tanto para dependentes químicos quanto para suas famílias.

Se o desenvolvimento espiritual pode originar a sobriedade e recuperação em dependentes, é natural que seja considerado como um tratamento suplementa

PROJETO TERAPÊUTICO INDIVIDUAL (PTI)

Na construção do PTI, consideram-se os critérios para o tratamento de transtornos decorrentes do uso abusivo e/ou dependente de substâncias psicoativas as diretrizes estipuladas pela ANVISA através da Resolução da Diretoria Colegiada, RDC Nº 29, de 30 de junho de 2011. Além dos critérios estipulados pela ANVISA, consideram-se também as contribuições do aparato teórico em que se baseia a proposta terapêutica da Centro Terapêutico Saúde e Vida.

Todas as internos possuem uma Ficha Individual, onde são registradas as seguintes informações:

  • Atividade lúdico-terapêutica variada;
  • Atendimento em grupo e individual;
  • Atividade que promova o conhecimento sobre a dependência de substâncias psicoativas;
  • Atividade que promova o desenvolvimento interior;
  • Registro de atendimento médico, quando houver;
  • Atendimento à família durante o período de tratamento;
  • Tempo previsto de permanência do residente na instituição;
  • Atividades visando à reinserção social do residente.

Consta também da Ficha Individual campos para registro de informações a respeito de transgressões às normas do Centro Terapêutico, bem como de outras informações de igual importância.

No Centro Terapêutico Saúde e Vida, a equipe se reúne periodicamente, com o intuito de discutir as questões referentes ao tratamento oferecido a cada interna. Os serviços da são oferecidos por uma equipe de profissionais capazes de contribuir e decidir acerca das intervenções mais apropriadas para cada caso. Entende-se que cada profissional é livre para sugerir e opinar a respeito do PTI. O PTI é elaborado e desenvolvido visando a pessoa, e não a droga.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando que a dependência química é uma problemática complexa, entende-se que um projeto terapêutico deve ser algo mutável, flexível. A reformulação constante deve ser uma forma de atender efetivamente às demandas que surgirem no dia a dia da Comunidade Terapêutica.

Um projeto terapêutico tem a função de orientar as práticas dentro da instituição, mas não é um dispositivo à prova de falhas, portanto, deve ser alvo de questionamentos e propostas de melhoria. Cabe à Diretoria, Coordenação, Profissionais e equipe em geral, zelar pela qualidade dos serviços prestados pelo Centro Terapêutico, promovendo o constante aprimoramento das técnicas, visando o respeito ao ser humano e o desenvolvimento de uma sociedade mais justa, solidária e sadia.